Casa dos Cabeçudos

21 de Junho, 2022

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DESCRIÇÃO

Casa dos Cabeçudos - O projecto desta casa de férias em Afife, no Norte de Portugal, toma como condição principal as ruínas e a silenciosa ligação que estabeleciam com a envolvente.

Com a convicção de que as ruínas continham atributos suficientes para se converter nos argumentos principais do projecto, o objetivo principal foi encontrar o equilíbrio entre deixar intactas todas as partes, para se perceber a estrutura e fragilidade das ruínas originais, e incorporar as divisões necessárias para responder ao programa da habitação.

Aproveitou-se todas as paredes em granito existentes para, em redor delas se construir uma nova natureza artificial.

No jardim uma caixa em betão e vidro, com a função de sala de estar e de jantar, introduz uma relação visual entre os espaços sociais e o jardim. Colocada perpendicularmente ao edifício existente, os dois volumes desenham um pátio rebaixado, para as refeições abrigadas das nortadas.

Para proteger do sol, no verão, a caixa está enterrada 70 cm em relação à cota do jardim e é protegida dos raios de sol por uma pala em betão que permite conservar uma temperatura sempre amena no interior.

Uma única laje de betão configura este novo volume para o jardim e marca a nova entrada, a Norte, cruzando-se por cima das paredes de granito.

No interior da ruína principal construiu-se um núcleo central de betão, onde se localizaram os quatro quartos, e que serviu de suporte para a nova cobertura plana construída com uma pendente de 2% em betão hidrófugo.

A ausências de coberturas inclinadas mantêm a imagem do que os edifícios, enquanto ruínas, estabeleciam com a natureza conservando a identidade que possuía naquele lugar. Isso acontece no edifício principal, mas também nos anexos que foram ocupados com outras valências da habitação.  A piscina obedece à mesma regra, construída em betão, ela insere-se no interior de um dos antigos espaços cujas paredes ainda se conservavam.

No interior da habitação o espaço caracteriza-se pelas superfícies monocromáticas e pela presença da madeira, por contraste com os grossos muros de pedra. Há uma clara e propositada separação entre os novos materiais empregues na construção e os muros de granito existentes.

As ruínas são encaradas como uma construção cuja gramática construtiva é entendida como natureza na qual foi necessário intervir, integrando e requalificando-a.